Sobre a vacina


INFORME SOBRE VACINAS PARA PREVENIR A COVID-19 EM PACIENTES DA FUNDAÇÃO CRISTIANO VARELLA

          No final de 2019, um novo coronavírus foi identificado - coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2), resultando em uma pandemia global. Em fevereiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde nomeou a doença como COVID-19.

          Os dados sugerem uma maior incidência e probabilidade de COVID-19 grave em pacientes com câncer em relação à população geral, principalmente em pacientes com diagnóstico recente, doença onco-hematológica, câncer de pulmão, doença avançada/metastática, e aqueles que são mais velhos e com outras comorbidades.

          As vacinas para prevenir a infecção por este novo coronavírus (SARS-CoV-2) são consideradas a abordagem mais promissora para conter a pandemia. 

          Até o momento, 2 vacinas foram aprovadas para uso emergencial no Brasil:

1- Instituto Butantan (IB) Coronavac - Vacina adsorvida COVID-19 (Inativada) Fabricante: Sinovac Life Sciences Co., Ltd. Parceria: IB/ Sinovac. Processo: 25351.900460/2021-13.

2 - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - INSTITUTO DE TECNOLOGIA EM IMUNOBIOLÓGICOS - Bio-Manguinhos Covishiled - Vacina covid-19 (recombinante) Fabricante: Serum Institute of India Pvt. Ltd. Parceria: Fiocruz/ Astrazeneca. Processo: 25351.900503/2021-61.

          A vacina é contraindicada apenas em indivíduos com histórico de reação alérgica grave a qualquer componente da vacina específica que está sendo disponibilizada.

          Todos os pacientes com câncer, ativo ou anterior, maiores que 18 anos podem receber as vacinas disponíveis contra a COVID-19. A particularidade é o questionamento sobre a eficácia da vacina nestes pacientes, com potencial para respostas imunológicas insuficientes. A vacina previne a doença grave e morte por COVID-19, mas sabe-se que mesmo os pacientes vacinados podem apresentar a doença COVID-19. Por isso, é importante continuar a seguir todas as recomendações atuais de proteção contra a COVID-19: uso de máscaras, distanciamento social e lavar as mãos com frequência.

          As orientações abaixo visam otimizar a eficácia da vacinação nesta população.

 

- COMO VACINAR?

          A vacina é aplicada no músculo do braço.

. CoronaVac (Butantan): 2 DOSES. O intervalo entre as doses é de 2 a 4 semanas.

. Vacina de Oxford (Fiocruz): 2 DOSES. O intervalo entre as doses é de 4 a 12 semanas.

 

- EFEITOS COLATERAIS ESPERADOS:

          É comum que os pacientes que receberam a vacina possam apresentar efeitos colaterais, que incluem reações locais e sistêmicas como: dor no local da injeção, febre, dor no corpo, dor de cabeça, fadiga e aumento dos linfonodos axilares no braço vacinado.

 

- ORIENTAÇÕES GERAIS:

          Em geral, como com todas as vacinas, diante de doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se o adiamento da vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença.

  

- PACIENTES QUE JÁ TIVERAM A COVID-19:

          Pacientes com história prévia de infecção pela COVID-19 também devem ser vacinados. Não há necessidade de triagem sorológica pré-vacinação.

          Os pacientes com infecção recente pela COVID-19 devem estar recuperados da infecção aguda para poder receber a vacina. Sugerimos que a vacinação seja realizada pelo menos 4 semanas após o início dos sintomas ou 4 semanas a partir do PCR positivo em pessoas assintomáticas.

          Se a infecção pela COVID-19 for diagnosticada após a primeira dose da vacina, a segunda dose ainda deve ser administrada, aguardando pelo menos 4 semanas após o início dos sintomas para a segunda dose.


- OUTRAS VACINAS DO CALENDÁRIO:

          Não existem dados relativos à segurança e eficácia quando as vacinas COVID-19 são co-administradas com outras vacinas.

          Outras vacinas não COVI-19 não devem ser administradas dentro de 14 dias após a administração da vacina da COVID-19.

 

- PACIENTES EM QUIMIOTERAPIA:

         A imunização é recomendada para todos os pacientes que recebem terapia ativa, com o entendimento de que há dados limitados de segurança e eficácia nesses pacientes.

         Pacientes em tratamento ou em planejamento de quimioterapia devem evitar a vacina quando os glóbulos brancos estão no ponto mais baixo*. A recuperação medular é um marcador de imunocompetência adequada para responder às vacinas e recuperação plaquetária suficiente para evitar sangramentos da vacina intramuscular. Portanto, é melhor administrar a vacina duas semanas antes ou duas semanas após a infusão, ou mesmo entre os ciclos da terapia.

         Pacientes com falência medular pela doença de base devem ser vacinados tão logo a vacina esteja disponível.

* Paciente com contagem de neutrófilos menor que 500/mm3 ou contagem de neutrófilos menor que 1.000/mm3 com tendência à queda nos próximos dias.

 

- PACIENTES EM RADIOTERAPIA:

          Pacientes em tratamento com radioterapia exclusiva podem vacinar normalmente, sem necessidade de ajustes entre os intervalos da vacina.

 

- PACIENTES QUE IRÃO REALIZAR CIRURGIAS ONCOLÓGICAS:

          Não há contraindicação da vacinação, mas deve-se evitar a vacina no período perioperatório para não confundir os sintomas colaterais da vacina com possíveis sintomas relacionados à cirurgia. Sugerimos a vacinação 07 dias antes ou 07 dias após o procedimento cirúrgico.       


- PACIENTES QUE RECEBERAM TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA OU TERAPIA COM CÉLULAS CAR-T:

          Para maximizar a eficácia, recomenda-se que estes pacientes esperem, pelo menos, três meses para receber a vacina.

          A doença enxerto vs hospedeiro em curso ou a contínua supressão imunológica pode suprimir ainda mais uma resposta. Por outro lado, não parece haver nenhuma contraindicação e alguma proteção é provavelmente melhor do que nenhuma.

 

- PACIENTES EM USO DE ANTICOAGULANTES ORAIS:

          Pacientes em uso de antagonistas da vitamina K (Varfarina, Marevan®, Coumadin®): verificar o RNI na semana em que está programado a vacinação. Se o RNI estiver abaixo de 3,50 o paciente pode ser vacinado.  Caso contrário, ele deverá entrar em contato com seu médico para orientações.

          Pacientes em uso de anticoagulantes de ação direta (Apixabana, Rivaroxabana, Edoxabana ou Dabigatrana):  orienta-se tomar a vacina imediatamente antes da próxima dose do medicamento.

          Pacientes não-gestantes em uso de heparina de baixo peso molecular (Enoxaparina, Dalteparina, Tinzaparina e Fondaparinux): orienta-se tomar a vacina imediatamente antes da próxima dose.

          Todos os pacientes com as condições descritas acima deverão fazer compressão local por 10 minutos após receberem a vacina. Se possível, deverão também aplicar compressa gelada antes e após o recebimento da vacina. Durante as primeiras 48 horas após a vacinação, deve-se orientar os pacientes para inspecionar o local vacinado. Caso ocorra, neste período, dor local exagerada, formação de hematoma volumoso e/ou febre, o paciente deverá entrar em contato com seu médico.  

 

- CUIDADORES E CONTATOS DOMICILIARES DE PACIENTES COM CÂNCER:

          Cuidadores e contatos domiciliares podem e devem ser vacinados contra a COVID-19. Apesar dos efeitos colaterais possíveis, a vacinação não causa a COVID-19.

- QUANDO AS PESSOAS SÃO CONSIDERADAS TOTALMENTE VACINADAS?

          As pessoas são consideradas totalmente vacinadas 2 semanas após a segunda dose de uma série de 2 doses. Se você ainda precisa receber sua segunda dose vacina, você não está totalmente protegido. Continue tomando todas as medidas de prevenção.


          Ainda com dúvidas? Fale com o seu médico.

 

DATA:  Março de 2021.

ELABORADO POR:

Bruno Licy Gomes de Mello - CRM/MG: 39.194 - Médico Infectologista e Intensivista, Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital do Câncer de Muriaé da Fundação Cristiano Varella.

 
APROVADO POR:

Edson Augusto Pracchia Ribeiro - Diretor Técnico, Serviço de Oncologia Cirúrgica.

Luiz Claudio Ferraz de Oliveira - Serviço de Oncologia Clínica.

Rafaela Cabral Samico - Serviço de Hemato-Oncologia.

 

- BIBLIOGRAFIA:

. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/bulas-saiba-mais-sobre-as-vacinas-autorizadas-para-uso-emergencial.

. Vacina adsorvida covid-19 (inativada) - DIZERES DE TEXTO DE BULA - PACIENTE.

. Vacina adsorvida covid-19 (inativada) - DIZERES DE TEXTO DE BULA - PROFISSIONAL DA SADE.

. Vacina covid-19 (recombinante) - DIZERES DE TEXTO DE BULA - PACIENTE.

. Vacina covid-19 (recombinante) - DIZERES DE TEXTO DE BULA - PROFISSIONAL DA SAÚDE.

. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): Vaccines to prevent SARS-CoV-2 infection. Authors: Kathryn M Edwards, MD Walter A Orenstein, MD. UpToDate: Literature review current through: Feb 2021. | This topic last updated: Mar 05, 2021.

. Coronavirus disease 2019 (COVID-19): Risks for infection, clinical presentation, testing, and approach to infected patients with câncer. Authors: Robert G Uzzo, MD, MBA, FACS; Alexander Kutikov, MD, FACS; Daniel M Geynisman, MD. UpToDate. Literature review current through: Feb 2021. | This topic last updated: Mar 05, 2021.

. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações PLANO NACIONAL DE OPERACIONALIZAÇÃO DA VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 | 3ª edição | Brasília/DF 29/01/2021.

. VACINAÇÃO PARA COVID-19 EM PACIENTES COM DOENÇAS HEMATOLÓGICAS - Atualização 04. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEMATOLOGIA, HEMOTERAPIA E TERAPIA CELULAR (ABHH).

. Vacinação de pacientes oncológicos - Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) - 1ª edição, janeiro de 2021.

. Preliminary Recommendations of the NCCN COVID-19 Vaccination Advisory Committee. NCCN: Cancer and COVID-19 Vaccination Version 1.0 1/22/2021.


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